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Olhar para uma xícara de café na tentativa de prever o futuro é um passatempo inútil, mas é exatamente isso que o mercado Forex está fazendo às vésperas da reunião do Fed. Um aumento dos juros em setembro é praticamente uma questão de cara ou coroa — ninguém se atreve a prever o resultado.
Formalmente, o dólar tem alguns trunfos: a inflação permanece acima da meta. Mas o MUFG argumenta que, mesmo que haja um aumento dos juros, é improvável que ele seja decisivo. O BCE, o Banco da Inglaterra e o RBA estão mais hawkish do que o esperado, e os diferenciais de juros dificilmente se moverão de forma acentuada a favor do dólar. O que importa não é o fato de haver um aumento dos juros, mas o sinal transmitido — se ele marcar o início de um ciclo de aperto ou se será apenas um ajuste pontual. O cenário-base do MUFG é o segundo, o que cria riscos de alta de curto prazo para o dólar em relação ao euro, sem, contudo, alterar a perspectiva mais ampla de baixa para a moeda americana.
Rendimentos dos Treasuries e dinâmica do dólar
As mãos do Fed estão atadas por mais do que apenas os dados. Faltando dois meses para as eleições de meio de mandato, um grande aperto fiscal está fora de questão. A política monetária permanece a única ferramenta. O risco é assimétrico: se o Fed se abstiver de agir apesar de dados fortes, os investidores exigirão prêmios de risco e perderão confiança, elevando os rendimentos e tornando a curva mais inclinada — como ocorreu após julho. Um aperto teria evitado boa parte disso.
A forte queda do dólar na primeira metade de 2025 foi uma história de mudança de narrativa contra o excepcionalismo americano. A política comercial deslocou medidas pró-cíclicas, a incerteza política aumentou e o crescimento se deslocou para a Europa — impulsionado de forma significativa por um pacote fiscal alemão. O dólar se estabilizou quando o ruído diminuiu. Mas fragilidades estruturais — perspectiva fiscal, prêmio a termo e problemas de confiança — mantêm vivo o argumento baixista para o greenback. No curto prazo, o quadro é menos unilateral: a zona do euro é resiliente e a inflação lá acelerou inesperadamente.
Perspectivas para as taxas do BCE
O próprio BCE enfrenta uma calibração delicada. Economistas da Bloomberg esperam uma alta dos juros para 2,5%, seguida de uma pausa até 2027 — um cenário dovish em comparação com os traders, que precificam cerca de três movimentos adicionais até meados do próximo ano. A divergência se amplia em meio à escalada no Oriente Médio: o petróleo volta a caminhar em direção a US$ 100, enquanto o gás sobe para níveis não vistos desde 2023. Uma alta de 25 pontos-base parece necessária, mas é pouco provável que, por si só, provoque um rali sustentado do euro.
O ANZ observa que a alta do EUR/USD acima de 1,17 em agosto refletiu não apenas a fraqueza do dólar, mas também a resiliência da zona do euro. O PIB cresceu 0,4% no segundo trimestre, e o PMI vem subindo há meses. A reunião de política monetária de 9 e 10 de setembro trará as primeiras projeções do BCE desde junho; elas devem confirmar a resiliência da economia e dar suporte ao euro. O risco é que o banco se concentre na desinflação impulsionada pela energia e reduza suas projeções, o que limitaria o rali do par.
De qualquer forma, o dólar e o euro estão jogando o mesmo jogo em setembro, mas com regras diferentes — cada lado está esperando que o outro banco central ceda primeiro. Quem vai ceder primeiro?
Tecnicamente, no gráfico diário, uma quebra abaixo de 1,1610 no par EUR/USD seria um sinal de venda. Por outro lado, um movimento acima de 1,1635 seria um sinal de compra.