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O silêncio é ouro, mas não para o presidente do banco central. Kevin Warsh arriscou todo o seu mandato, acreditando que uma Reserva Federal mais discreta oferece uma visão mais clara do que os investidores pensam. Ele afirmou que a estratégia está funcionando. No entanto, apenas uma hora depois, os mercados provaram o contrário.
O Fed manteve as taxas inalteradas e abandonou a orientação prospectiva (forward guidance), citando um forte aumento dos rendimentos reais dos Treasuries desde a reunião de junho — um dos maiores saltos entre reuniões em duas décadas. Segundo Waller, o aperto das condições financeiras já fez parte do trabalho do banco central por si só. Os investidores, porém, entenderam de maneira diferente: o rendimento dos títulos de 30 anos saltou para 5,2%, o dólar enfraqueceu e as ações caíram. Trata-se de um sinal clássico de incerteza econômica, que corrói a confiança na autoridade monetária.
Três dirigentes — Beth Hammack, Neel Kashkari e Lori Logan — defenderam um aumento imediato dos juros. Uma dissidência conjunta como essa é rara, e a existência de um quarto ou quinto voto contrário em um comitê de doze membros seria algo sem precedentes nos tempos modernos. O próprio Warsh chamou o episódio de uma "boa briga de família". Contudo, o DBS Group descreve a situação de forma diferente: segundo o banco, o presidente mergulhou os mercados num "labirinto de espelhos" monetário, onde os investidores "tateiam no escuro". É nesse cenário que o dólar norte-americano perdeu o rumo.
Enquanto isso, o Banco Central Europeu demonstra muito mais unidade. O conselho de governadores sinaliza quase por unanimidade uma alta dos juros em setembro, o que dá ao euro uma clara vantagem. A economia da zona do euro cresceu inesperadamente 0,4% no segundo trimestre — o dobro da previsão da Bloomberg — mostrando resiliência diante da guerra no Irã. Alemanha, França, Itália e Espanha cresceram de forma sincronizada.
No entanto, o Commerzbank alerta que a correlação entre o euro e o petróleo é significativamente mais forte do que a entre o dólar e o petróleo. Enquanto os preços da energia subirem em meio a uma nova onda de ataques dos EUA ao Irã e ataques contra forças americanas na Jordânia, as expectativas de inflação na zona do euro continuarão a subir na mesma medida — ao contrário dos EUA, que recentemente reduziram sua dependência do petróleo.
Isso cria um paradoxo. O BCE está mais previsível, mas depende da geopolítica. O Fed é imprevisível, mas a geopolítica já não o orienta. De acordo com o CIBC, os três votos dissidentes após a decisão unânime de junho devem manter o mercado preparado para novas altas dos juros em setembro, especialmente com novas tensões militares pairando sobre os preços da energia. A reunião do Comitê ocorrerá nos dias 15 e 16 de setembro.
Na minha opinião, enquanto o petróleo não definir sua tendência, é improvável que o euro consiga consolidar sua vantagem nesta quinta-feira. A menos, é claro, que o próprio Warsh indique o caminho para sair desse labirinto de espelhos.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do EUR/USD mostra uma forte tentativa de romper a resistência no nível pivô de 1,1470. O sucesso dos compradores nessa tentativa permitiria que os operadores aumentassem as posições compradas abertas a partir de 1,1405.