O BCE não vê necessidade de aumentar as taxas de juros, apesar do aumento dos preços do petróleo
Segundo François Villeroy de Galhau, o governador do Banco da França, o aumento dos preços do petróleo não está tendo impacto significativo sobre a inflação geral da zona do euro. O regulador não encontrou evidências de que a atual alta dos custos de energia justifique um aperto imediato da política monetária.
Em entrevista ao France 5, Francois Villeroy de Galhau enfatizou que o BCE está preparado para elevar as taxas de juros apenas se surgirem “efeitos de segunda ordem” capazes de tornar a inflação ampla e persistente. Segundo ele, o banco central acompanha atentamente se o aumento dos custos das commodities será repassado para bens industriais, alimentos e serviços, segmentos que representam cerca de 50% do consumo da região. O banqueiro e dirigente público afirmou: “Se observarmos esses efeitos de segunda ordem, agiremos e elevaremos os juros para impedir que a inflação se torne ampla e persistente.”
No momento, porém, ainda não há sinais de disseminação sistêmica das pressões inflacionárias pela economia do bloco europeu.
Na última quinta-feira, o BCE manteve as taxas de juros inalteradas, adiando discussões sobre possíveis ajustes para a reunião de 10 e 11 de junho de 2026. Dentro da liderança da instituição, há opiniões polarizadas: o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, defende uma alta dos juros na ausência de melhora nas projeções de crescimento, enquanto Peter Kazimir considera essa medida “praticamente inevitável”. Enquanto isso, Villeroy de Galhau deixará o cargo no fim de maio de 2026 e, portanto, não participará da reunião de junho. Em uma carta enviada nesta semana ao presidente francês Emmanuel Macron, o dirigente destacou a necessidade de equilíbrio entre cautela e ação decisiva por parte do regulador.