A Marriott investe US$ 1,1 bilhão em TI e aposta em algoritmos para otimizar a gestão
A implementação de sistemas de gestão baseados em inteligência artificial pode tornar-se um fator-chave para a eficiência operacional no setor hoteleiro, de acordo com um novo relatório da Bernstein. Analistas preveem que a mudança para a “hiperpersonalização” permitirá que grandes redes, como Marriott International e IHG, aumentem significativamente suas margens ao otimizar as vendas diretas e implementar inventário baseado em atributos (ABS).
Um dos principais objetivos financeiros da transformação impulsionada pela IA é reduzir a dependência de agências de viagens online (OTAs). Com comissões de agregadores variando entre 15% e 30%, o uso de agentes de IA proprietários permite que os hotéis retenham até 95% da receita das reservas. A Marriott já investiu mais de US$ 1,1 bilhão em 2026 em infraestrutura de nuvem e em uma “rede de agentes”, que contorna as interfaces dos intermediários e processa os pedidos dos clientes em seus idiomas nativos.
Considerando que a mão de obra representa cerca de 45% dos custos operacionais de um hotel, a automação de tarefas rotineiras — desde a escolha de travesseiros até a coordenação da limpeza — é vista como um dos principais fatores para aumentar o EBITDA. Especialistas estimam que hotéis que utilizam IA para precificação dinâmica e previsão de demanda já registram ganhos totais de receita de cerca de 17% em comparação com concorrentes que dependem de modelos tradicionais.
A adoção de sistemas que capturam atributos detalhados de cada quarto (como andar, nível de ruído e comodidades) permite que os hotéis cobrem tarifas adicionais por características específicas. A Bernstein observa que esse modelo de “prateleira digital” transforma um inventário padrão de quartos em um portfólio flexível de ativos de alto valor. No longo prazo, isso deve sustentar um crescimento estável do RevPAR (receita por quarto disponível), mesmo em um cenário de volumes de viagem estagnados.