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28.04.2026 10:53 PM
O euro está em um "blefe hawkish"

O Irã apresentou uma proposta relevante, mas ainda insuficiente. Essa foi a reação de Donald Trump à oferta transmitida por meio de mediadores paquistaneses a Teerã. A proposta incluía condições para a reabertura do Estreito de Ormuz, com base em um novo enquadramento legal para o tráfego de petroleiros. Em contrapartida, os Estados Unidos deveriam suspender o bloqueio e garantir a não agressão no futuro.

A expectativa dos investidores de que o cessar-fogo evolua para um acordo de paz aumenta o apetite global por risco e sustenta a atuação compradora no par EUR/USD.

Todos estão atentos ao curto prazo, mas poucos consideram as possíveis consequências. A economia global encontra-se em uma posição frágil. Quanto mais tempo o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado, maiores serão os riscos de uma disparada nos preços do Brent e do WTI, bem como a probabilidade de uma recessão global. O fluxo por essa importante rota petrolífera mundial praticamente foi interrompido.

Dinâmica do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz

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Os mais vulneráveis serão os mais afetados. Em especial, países e regiões dependentes do fornecimento de petróleo e gás tendem a sofrer mais. Esse é o caso da zona do euro, onde a fraqueza da atividade empresarial já se tornou um sinal de alerta para a economia. Ainda assim, o Banco Central Europeu mantém uma retórica hawkish (mais rígida), afirmando não pretender repetir os erros de quatro anos atrás. Naquele período, o Conselho do BCE demorou a apertar a política monetária diante da alta dos preços ao consumidor.

O Crédit Agricole classifica essa postura mais agressiva do BCE como um "blefe hawkish". De facto, o que é permitido a Júpiter — neste caso, os Estados Unidos — não pode ser aplicado ao boi — a zona do euro. A economia do bloco já enfrenta o peso de juros elevados; por que, então, acelerar ainda mais a sua deterioração?

Ainda assim, o BCE deverá tentar agir. Especialistas da Bloomberg projetam que os preços ao consumidor na zona do euro avancem para 3% em abril, o nível mais alto desde o início do conflito na Ucrânia. Caso as autoridades permaneçam inertes num cenário como esse, não se pode descartar uma reação mais intensa, com o CPI avançando para níveis de dois dígitos.

Dynamics of European Inflation

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Assim, o Banco Central Europeu encontra-se diante de um dilema. Ainda assim, os mercados parecem já ter tomado sua decisão. A expectativa é de que a taxa de depósito permaneça em 2% após a reunião de abril do Conselho do BCE, seguida por comentários hawkish de Christine Lagarde, sinalizando um aperto da política monetária em junho. É esse diferencial de expectativas que sustenta a alta do par EUR/USD.

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A valorização do principal par de moedas também é sustentada pelas máximas históricas dos índices acionários dos EUA, o que exerce pressão baixista sobre o dólar americano como ativo de refúgio. Além disso, contribui para esse movimento a disposição do Congresso em votar a nomeação do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Para viabilizar essa votação, a Casa Branca teria concordado em suspender a investigação envolvendo Jerome Powell.

Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do EUR/USD mostra uma recuperação a partir do valor justo em 1,169, com os compradores iniciando uma contraofensiva. No entanto, uma tentativa malsucedida de romper o nível de pivô em 1,176, ou a incapacidade do euro de se sustentar acima do suporte em 1,173, sinalizaria oportunidades de venda.

Marek Petkovich,
Analytical expert of InstaTrade
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