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09.03.2026 08:58 PM
DJIA (INDU): O choque do petróleo redefine os cenários.

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*Veja também: Indicadores da IstaForex para negociar o DJIA (INDU)

Os futuros do índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) despencaram 1,74% na segunda-feira, caindo abaixo de 46.300,00 durante a sessão asiática. A venda generalizada foi consequência direta da forte alta nos preços do petróleo, com o Brent crude oil ultrapassando US$ 113 por barril, além da escalada do conflito no Oriente Médio, agora em sua segunda semana.

O mercado foi tomado por temores de estagflação, cenário em que custos de energia mais altos ameaçam tanto reduzir o crescimento econômico quanto reativar pressões inflacionárias.

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A escalada da campanha dos EUA e Israel contra o Irã, agora em sua segunda semana, continua a dominar o sentimento do mercado.

O chamado índice de medo e ganância dos investidores permanece na zona de "medo" em 26 (de 100), essencialmente à beira do "medo extremo".

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Nesse contexto, o U.S. Dollar Index (USDX) subiu 0,5% no dia, alcançando 99,30, e após um ganho de mais de 1% na semana passada, atingiu um novo máximo desde novembro de 2025.

O dólar está sendo sustentado não apenas como ativo de refúgio, mas também por uma reavaliação das expectativas de juros do Federal Reserve: a alta dos preços do petróleo está aumentando as preocupações com a inflação e levando os investidores a adiar o momento do afrouxamento da política monetária, como destacamos na análise de hoje do "USD/CAD: sob o domínio da geopolítica e a alta do petróleo."

Situação atual: tempestade perfeita

Choque sem precedentes no petróleo

Os preços do petróleo dispararam na segunda-feira: o West Texas Intermediate crude oil (WTI) ultrapassou US$ 110 por barril (máxima em nove meses), enquanto o Brent crude oil subiu acima de US$ 114. Os preços avançaram mais de 25% em um único dia, em meio aos temores de interrupções no fornecimento através do Strait of Hormuz.

No meio da sessão europeia, os preços recuaram para cerca de US$ 100 e US$ 105, respectivamente, após relatos de que o Group of Seven (G7) pode coordenar liberações emergenciais de petróleo das reservas estratégicas.

Reação do mercado: fuga do risco

Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq‑100 caíram 1,61% e 1,75%, respectivamente, ficando abaixo de 6.600 e 24.000 na sessão asiática (na semana passada, o Dow Jones Industrial Average já havia perdido 3%, o S&P 500 2% e o Nasdaq-100 1,2%).

O CBOE Volatility Index (VIX) saltou quase 13%, alcançando níveis não vistos desde abril de 2025.

Os mercados asiáticos também sofreram fortes perdas: o Nikkei 225 do Japão caiu 5,2%, o Hang Seng Index de Hong Kong recuou 1,4%, e o Shanghai Composite Index da China perdeu 0,7%.

Economistas não descartam a possibilidade de uma queda de até 35% nos mercados ao longo do restante do ano, temendo que um choque prolongado no petróleo deixe o Federal Reserve diante de um duplo desafio: inflação em alta e aumento do desemprego.

Ao mesmo tempo, muitos analistas acreditam que, se os preços do petróleo não dispararem de forma duradoura e permanecerem elevados apenas temporariamente, o conflito com o Iran dificilmente irá prejudicar as expectativas para as ações dos EUA nos próximos 6 a 12 meses. Historicamente, riscos geopolíticos não têm gerado volatilidade prolongada nos mercados americanos.

Enquanto isso, o rendimento dos U.S. 10‑Year Treasury subiu para 4,18%, à medida que os investidores passaram a precificar a possibilidade de inflação mais alta. O aumento dos preços da energia reforça essas expectativas: a diretora-gerente do International Monetary Fund, Kristalina Georgieva, alertou que uma alta sustentada de 10% no preço do petróleo pode elevar a inflação global em cerca de 0,4 ponto percentual.

A presidente do Federal Reserve Bank of Cleveland, Loretta Mester, afirmou recentemente que a política monetária deve permanecer inalterada por um período considerável, até que haja evidências claras de queda da inflação e estabilização do mercado de trabalho. As pressões inflacionárias continuam amplas, e as tarifas comerciais são apenas uma das várias preocupações das empresas.

De acordo com a Ferramenta CME FedWatch, os investidores agora esperam o primeiro corte de juros de 25 pontos-base apenas em setembro. Antes da escalada do conflito, o mercado já precificava totalmente um corte em julho. Alguns traders inclusive apostam que o Fed pode não reduzir os juros em 2025.

Breve análise técnica

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Hoje, os futuros do DJIA (INDU no terminal de negociação) testaram o suporte-chave em 46.750,0 (EMA 200 no gráfico diário), que separa um mercado altista de médio prazo de um mercado baixista, e se aproximaram do importante suporte de médio prazo em 46.250,0 (EMA 50 no gráfico semanal).

Os indicadores técnicos (RSI, Média Móvel do Oscilador - OsMA, Estocástico) nos gráficos diários e semanais favorecem posições de venda, e no gráfico mensal, os indicadores também se voltaram para o lado da venda.

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RSI diário (14): cruzando abaixo do nível 30, mantendo uma tendência de baixa (forte momentum negativo).

A tendência global e de longo prazo do DJIA continua otimista. No entanto, uma quebra da zona de suporte de 46.250,0–46.000,0 abriria caminho para novas quedas.

Níveis Chave

Suporte: 46,750.0, 46,250.0, 46,000.0, 45,000.0

Resistência: 47.500,0 (EMA 144 no gráfico diário), depois a zona de 48.750,0 (EMA 50 no gráfico diário) – 49.000,0

Cenário de curto prazo (1–5 dias)

A zona-chave continua sendo 46.750,0–47.500. As ações futuras serão determinadas pelos desenvolvimentos diplomáticos e por quaisquer medidas do G7 para estabilizar o mercado de petróleo. Quaisquer sinais de desaceleração podem desencadear uma recuperação técnica, enquanto a escalada do conflito pode empurrar os índices para novos mínimos.

Fatores de curto prazo:

· Quarta-feira: divulgação do Consumer Price Index (CPI) dos EUA referente a fevereiro.

· Sexta-feira: dados do Personal Consumption Expenditures Price Index (PCE) — indicador de inflação preferido do Federal Reserve — e estatísticas de vagas de emprego.

· Resultados corporativos: Oracle, Adobe e Hewlett Packard Enterprise.

Perspectiva de médio prazo

Os investidores buscarão direção nas divulgações desta semana do CPI e do PCE. Economistas esperam que a inflação permaneça em torno de 2,4% ao ano. Qualquer surpresa para cima aumentaria a pressão sobre os mercados, enquanto dados mais fracos reforçariam as expectativas de afrouxamento monetário por parte do Federal Reserve.

Conclusão

O mercado acionário dos Estados Unidos entrou em uma fase de volatilidade extrema, dominada pelo risco geopolítico. Um choque no petróleo, impulsionado por um possível bloqueio do Estreito de Ormuz e por interrupções na produção na região, está gerando temores de estagflação, colocando o Federal Reserve em uma posição difícil e obrigando os investidores a revisarem suas previsões.

A zona-chave de 46.750,0–47.500,0 será decisiva nos próximos dias — sua manutenção permitiria aos compradores mirar uma recuperação para 48.750,0–49.000,0, enquanto um rompimento abriria caminho para uma correção mais profunda. Em qualquer cenário, a volatilidade deverá permanecer elevada, e os investidores devem acompanhar de perto as notícias do Golfo Pérsico, os dados de inflação dos EUA e as respostas dos bancos centrais à crise energética.

Jurij Tolin,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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