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A alta dos preços do petróleo ontem foi uma resposta direta às ações dos EUA no Oriente Médio. Depois que o Irã fechou o Estreito de Ormuz, provocando um forte salto nos preços das commodities, o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos forneceriam garantias de seguro e escoltas navais para assegurar a passagem de petroleiros e outras embarcações pelo estreito. A medida tem como objetivo evitar uma potencial crise energética global decorrente do conflito com o Irã.
No contexto da escalada das tensões com Teerã, que ameaça transformar-se em uma crise energética de grandes proporções, a administração dos EUA declarou estar disposta a oferecer garantias de seguro e proteção naval a petroleiros e outras embarcações comerciais. Ainda assim, como se observa, tais promessas não aliviaram de forma significativa a pressão sobre os preços do petróleo.
Embora a iniciativa busque mitigar os riscos de possíveis ataques a petroleiros por parte do Irã, que controla uma parte significativa da costa ao longo do estreito, garantir a segurança da navegação nesse corredor estratégico é uma tarefa extremamente complexa. Um único petroleiro afundado, mesmo sob escolta americana, poderia levar companhias de navegação e seguradoras a suspender completamente o tráfego na região.
As declarações de Trump evidenciam a determinação dos EUA em impedir tentativas de desestabilização do mercado e conter novas altas nos preços da energia. Ainda assim, é incerto se essas medidas serão suficientes para estabilizar o mercado no curto prazo.
O presidente também afirmou que a US International Development Finance Corporation (DFC), que é o braço de investimento internacional do governo dos EUA, oferecerá seguros "a um preço muito razoável" para ajudar a garantir a continuidade do fornecimento de energia e do comércio no Golfo Pérsico. Além disso, indicou que, se necessário, a Marinha dos EUA poderá iniciar escoltas a petroleiros no Estreito de Ormuz em breve. "Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o trânsito livre de recursos energéticos em todo o mundo", escreveu Trump nas redes sociais.
Como mencionado anteriormente, após esses anúncios os preços do petróleo reduziram momentaneamente o ritmo de alta e, no fechamento dos mercados, o Brent — referência global — era negociado em torno de US$ 80 por barril. Embora as declarações do presidente tenham aliviado parcialmente o prêmio de risco geopolítico nos mercados de energia, muitos traders permanecem céticos quanto à capacidade do plano de restabelecer rapidamente os níveis normais de oferta de petróleo na região.
Os preços subiram mais de 10% desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã no fim de semana, o que causou grandes perturbações no Oriente Médio e praticamente interrompeu os fluxos de petróleo no estrategicamente crucial Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do fornecimento mundial de energia.
No entanto, é evidente que, se Teerã decidir continuar as operações militares, e tudo indica que continuará, a retomada total do tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz levará semanas ou até meses, e não horas ou dias, apesar dos planos anunciados e considerados positivos para oferecer seguros ou escolta naval aos navios.