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O dólar continua a se fortalecer em relação ao euro, à libra esterlina e ao iene japonês.
Os dados fracos do ADP divulgados ontem sobre o mercado de trabalho mostraram a criação de apenas 22 mil vagas, bem abaixo da previsão de cerca de 40 mil. No entanto, esse impacto foi parcialmente compensado por um relatório ISM de serviços positivo nos EUA, o que gerou um quadro de maior incerteza. Por um lado, a desaceleração do crescimento do emprego pode inclinar o Federal Reserve a adotar uma postura mais branda; por outro, a resiliência do setor de serviços sinaliza a continuidade de uma base econômica relativamente sólida.
À frente da reunião do Banco Central Europeu, os mercados entram em compasso de espera. Embora estejam previstos dados sobre a variação das encomendas industriais na Alemanha e as vendas no varejo da zona do euro, toda a atenção se concentrará na decisão do BCE sobre a taxa de juros e na coletiva de imprensa de Christine Lagarde. Suas declarações devem orientar a trajetória futura do euro e as perspectivas de crescimento econômico da região. As principais questões girarão em torno das projeções de inflação, das condições do mercado de trabalho e da disposição do BCE para novos cortes de juros.
No caso da libra, o Reino Unido divulga hoje o PMI do setor de construção, além das expectativas em torno da decisão de taxa do Banco da Inglaterra e de um discurso do governador Andrew Bailey. O PMI da construção fornecerá informações relevantes sobre o nível de atividade do setor, funcionando como um termômetro da saúde econômica do país. Uma leitura mais fraca pode sinalizar desaceleração do crescimento, enquanto um resultado mais forte aponta para fortalecimento do setor e potencial impulso ao PIB.
A decisão de juros do BoE é um dos eventos mais aguardados pelos mercados financeiros. Diante de uma inflação ainda elevada e de sinais de desaceleração econômica, o banco central enfrenta o desafio de equilibrar o controle dos preços com a sustentação da atividade. Como um corte de juros poderia apoiar o crescimento, mas ao mesmo tempo intensificar as pressões inflacionárias, a expectativa predominante é de manutenção das taxas. O discurso de Andrew Bailey deverá atrair atenção redobrada, já que os traders buscarão compreender a justificativa da decisão e obter pistas sobre os próximos passos da política monetária.
Se os dados vierem em linha com as expectativas dos economistas, a estratégia mais adequada tende a ser a de reversão à média. Caso os números surpreendam de forma significativa — para cima ou para baixo —, uma estratégia de momentum tende a ser mais eficaz.